Área de Filosofia Africana e Afrodiaspórica

RESUMO:

Com o predomínio de uma narrativa eurocêntrica no campo das Ciências Humanas, a área Filosofia Africana e Afrodiaspórica propõe como objetivo construir uma contranarrativa com o intuito de pluriversalizar a produção de conhecimento. Diante disso, discursos epistêmicos com diversas vozes localizadas são requeridos como protagonistas para um debate que expõe as relações étnico-raciais como primordial na produção filosófica.

 

JUSTIFICATIVA:

Dentro de um contexto complexo formado pelo patriarcado, sexismo, misoginia, eurocentrismo e racismo, o “fazer filosofia” não escapa à colonialidade. A partir de leituras de filósofas como Marimba Ani, Sobonfu Somé e dos filósofos Mogobe Ramose e Nelson Maldonado-Torres, podemos fazer algumas conjecturas para enriquecer o debate. No contexto da colonialidade, a filosofia tem reproduzido um mito de universalidade que recusa o seu caráter geopolítico. Ou seja, a pessoa que fala fica apagada da análise e, ao permanecer oculta, facilita que desconsideremos o lugar epistêmico étnico-racial, sexual, de gênero e geográfico. O sujeito enunciador aparece desvinculado de suas condições geopolíticas. Vale uma ressalva, o lugar social não é a mesma coisa que o lugar epistêmico. Uma pessoa pode estar numa posição de desvantagens sócio-políticas e ser discriminada em alguma instância; mas, alinhar-se às fileiras epistêmicas hegemônicas. Ou seja, falando o que é “permitido falar”. O incômodo surge quando se fala o que não é permitido. Por exemplo, a afirmação de que é incorreto “impor” o nome “filosofia” ao pensamento africano antigo indica mais desconhecimento dos textos dessa tradição de pensamento, que rigor filosófico. Afinal, seja por preconceito, vasta ignorância dos textos não-ocidentais e/ou fundamentalismo eurocêntrico, muitas(os) filósofas(os) insistem em não fazer um debate rigoroso e profundo sobre o assunto A filosofia antes dos gregos (título do livro do português José Nunes Carreira).  Consideramos esses motivos antifilosóficos, porque uma atitude filosófica não precisa ser avessa ao exame das contradições do seu próprio argumento. Mas, quando o assunto é a exclusividade grega da filosofia na antiguidade, muitas(os) filósofas(os) se tornam intelectuais dogmáticas(os) incapazes de sequer considerar que existem outras abordagens que merecem análise. Até parece que têm medo de fazer um debate qualificado e se verem obrigadas(os) a rever suas “crenças” filosóficas, sobretudo a hipótese de que a filosofia não nasceu na Grécia. Por isso, defendemos a necessidade de que seja obrigatório incluir filosofia africana nos cursos de graduação. Principalmente se partimos da própria formação da sociedade brasileira que abarca uma variedade de vozes. O ensino de filosofia não deve se concentrar em uma homogeneidade, ou melhor, em uma valoração antecedente de certo discurso filosófico, mas deve contemplar a multiplicidade do fazer filosófico e reivindicamos, particularmente, contemplar a variedade de escolas e estilos filosóficos no continente africano ou dos africanos e seus descendentes localizados por todo o globo terrestre em diferentes épocas e espaços em diálogo com as tradições já canonizadas, despindo-as de seu eurocentrismo.

 

 

PLANO DE AÇÃO:

A Área de Filosofia Africana e Afrodiaspórica propõe a criação do SIMPÓSIO DE FILOSOFIA AFRICANA E AFRODIASPÓRICA, composto de 1 Seção Temática, 3 Mesas-redondas, 3 minicursos e 3 oficinas.

Assumiu também a Publicação de um Dossiê de Filosofia Africana na Revista da ABPN para novembro de 2018.

Comprometeu-se em convidar e custear a vinda dos filósofos moçambicanos, referência na filosofia africana de expressão portuguesa, os Doutores Severino Ngoenha e José Castiano.

Há uma agenda de organização da pesquisa e da extensão, bem como ações com relação ao ensino de filosofia africana tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Superior, nas cinco regiões do Brasil onde temos filiados.

Compromete-se com a realização do III Encontro Internacional de Filosofia Africana na cidade de Fortaleza, em 2019, como continuidade da política de organização da pesquisa, ensino e extensão tendo como ponto de culminância os encontros internacionais de filosofia africana, que visam, entre outras coisas, o intercâmbio do Brasil – em sua expressão de diversidade regional -  com o continente africano – em sua expressão de diversidade nacional e étnico-culturais.

Coordenadora: Profa. Dra. Aline Cristina Oliveira do Carmo

Coordenador: Prof. Dr. Eduardo David de Oliveira

  • LinkedIn ícone social
  • White Instagram Icon

© Copyright 2023 by Elementary school. Proudly created with Wix.com

Contato

Endereço

Tel: 0XX34 3291-8945

Email: contatoabpn@gmail.com

Casa de Cultura Graça de Axé, localizado na Avenida Cesário Crescerá, 4187 - Bairro Pres. Rossevelt, 38401-119 - Uberlândia - Minas Gerais - Brasil