Feminismos Negros

O campo dos estudos feministas já está consolidado. Contudo, assim como não se conseguiu por meio da pesquisa e das evidências científicas desconstruir nas sociedades o patriarcalismo e o sexismo, onde o sistema de escravização da população negra existiu, há também para as mulheres negras o desafio de superar o racismo institucional. Se segundo HARDING (1996), os estudos feministas traçam críticas à produção de conhecimento científico com viés androcêntrico, bem como produzirem análises plurais orientadas por novas epistemologias a partir da reflexão sobre as relações de gênero, os estudos do feminismo negro visam ir muito além e explorar o impacto da branquidade e das relações raciais na opressão das mulheres negras. O feminismo negro soma-se às “novas vozes” emergentes dos estudos feministas por não aceitarem como evidência científica um discurso hegemônico que privilegia as mulheres brancas, heterossexuais e de classe média alta, seja na estrutura de poder, seja como referência do feminismo, mantendo a invisibilidade de mulheres negras, quilombolas, indígenas, lésbicas, hipo econômicas e não-ocidentais. Baseamo-nos trabalhos desenvolvidos por hooks (1991), COLLINS (2010), GONZÁLEZ (1982), DAVIS (1982), CARNEIRO (2001), LEMOS (1997), CARDOSO (2012), BARRETO (2005), dentre outras, para justificar a importância do desenvolvimento da epistemologia feminista negra no Brasil, em especial. Essas autoras evidenciaram a pluralidade presente na experiência feminina, dadas as particularidades do contexto social, e apontaram que a opressão vivenciada na posição de “segundo sexo” pode ser potencializada a partir da interseccionalidade da opressão de gênero a outros marcadores sociais, como os sistemas de opressão de classe, raça, orientação sexual e religião. Isto porque observamos que a experiência de vida das mulheres negras no Brasil está marcada pela lógica da exclusão (política, econômica, cultural e social) e da violência (física, psicológica e simbólica), o que configura o sinergismo das ideologias da opressão de gênero e raça. Com base no exposto, Feminismos Negros, enquanto Área Científica da ABPN – Associação de Pesquisadores(as) Negros(as), tem como objetivo confluir trabalhos de pesquisa com foco nas relações de gênero, raça e sexualidade, interseccionalidades, feminismos e feminismos negros. Pretende-se organizar compartilhamentos e divulgação de novos conhecimentos científicos, bem como a construção de evidências científicas e boas práticas, quanto à equidade racial e de gênero, que permitam influir no planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas; assessoria para a promoção da equidade racial e de gênero nas instituições sociais; organização de Fóruns e Simpósios; Articulação de pesquisadoras(es) em diferentes partes do mundo; dentre outros, com vistas ao desenvolvimento e potencialização da Área Científica Feminismos Negros.

Coordenadora: Profª Dra. Rosalia de Oliveira Lemos

Coordenadora: Doutoranda MsC. Giselle                dos Anjos Santos

  • LinkedIn ícone social
  • White Instagram Icon

© Copyright 2023 by Elementary school. Proudly created with Wix.com

Contato

Endereço

Tel: 0XX34 3291-8945

Email: contatoabpn@gmail.com

Casa de Cultura Graça de Axé, localizado na Avenida Cesário Crescerá, 4187 - Bairro Pres. Rossevelt, 38401-119 - Uberlândia - Minas Gerais - Brasil