História dos Copenes

Em 2018 chegamos a décima edição do Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as.

Uma caminhada repleta de conhecimentos e trocas de conhecimentos enriquecedores. Por isso abrimos

esse espaço para que todos/as possam conhecer um pouco do trabalho realizado pela

ABPN em conjunto com seus/as associados/as.

Como estamos construindo este espaço em conjunto com nossos/as associados/as pedimos que, caso você tenha, Anais de alguma edição que não esteja ainda em nossa página, por favor entre em contato conosco

para que possamos inserir o mesmo.

O I Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as, realizado de 22 a 25 de novembro de 2000 em Recife (Pernambuco), inaugurou um procedimento ao efetuar um balanço da produção recente dos pesquisadores negros e negras e de estudos que lidam com temáticas relacionadas com a situação dos afrodescendentes, especialmente no Brasil. Este congresso contou com a presença de aproximadamente 320 pesquisadores nacionais - de diversas regiões do país - e estrangeiros. A grande concentração de pesquisadores/as se deu nas seguintes áreas de conhecimento: educação, saúde, história, sociologia e antropologia.

Dois pontos ganham relevância ao se analisar o I COPENE. Em primeiro lugar, chamaram a nossa atenção a diversidade, o crescimento numérico e a qualidade da produção. Em segundo, a persistência de barreiras e a ausência dos meios materiais de suporte ao desenvolvimento de pesquisas pretendidas pelos/as pesquisadores/as negros/as. O que sugere haver divergências no interesse e na agenda de pesquisadores brancos e afrodescendentes.

O II Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as, realizado de 25 a 29 de agosto de 2002 na cidade de São Carlos no estado de São Paulo, deu continuidade às deliberações do I Congresso a aprovou, por unanimidade, em sessão plenária, a constituição da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (não restringindo a participação de pesquisadores não-negros) com o objetivo principal de congregar e fortalecer laços entre pesquisadores/as que tratem da problemática racial, direta ou indiretamente, ou se identifiquem com os problemas que afetam a população negra e, principalmente, estejam interessados em seu equacionamento não apenas teórico.

No II Congresso, de certa forma, as áreas de maior concentração foram as mesmas do Congresso de Recife e participaram, aproximadamente, 450 pesquisadores; no entanto, já transparecem na produção os efeitos das mudanças sociais ocorridas na década de 90 na agenda das entidades do movimento negro brasileiro. Agenda essa provocada pela conformação de um Estado liberal-democrático no Brasil, no qual os negros passam a se utilizar crescentemente de mecanismos jurídico-políticos tanto para criminalizarem a discriminação e o racismo enquanto coletividade quanto para exigirem políticas públicas compensatórias pelos danos espirituais e materiais causados pelo racismo e pela discriminação.

Esta agenda assinalou a importância de aprofundar o balanço crítico iniciado no Congresso de Recife sobre a produção intelectual brasileira relativa às relações étnico-raciais mostrando as mudanças temáticas, mudanças de enfoque no interior de um mesmo tema, diferenças no tratamento de problemas e da própria agenda de pesquisa, na medida em que os negros, dentro e fora das universidades, passam a questionar o poder de nomeação, classificação e hierarquização do seu outro. É significativo destacar que, ao “negarem” a nomeação imposta de preto e ao se autonomearem como negro, afro-brasileiro ou, mais recentemente, como afrodescendente têm, os negros, buscado, por meio de seus intelectuais dentro e fora das universidades, rever, recriar, ressignificar sua participação e experiência enquanto coletividade distinta na história passada

e presente do Brasil.

O III COPENE, realizado em São Luís do Maranhão entre os dias 06 e 10 de setembro de 2004, ocorreu sob uma intensificação da luta antirracista e com a adoção de cotas para negros em algumas instituições de ensino superior, notadamente a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e a Universidade Estadual da Bahia (UNEB) que foram as primeiras instituições públicas de ensino superior a adotarem reservas de vagas.

O próprio eixo temático do Congresso é sintomático: “Pesquisa Social e Ações Afirmativas para Afrodescendentes”. Com 600 inscrições e um público estimado de aproximadamente 1000 pessoas - entre negros, brancos e indígenas - a ampla participação demonstrou de forma cabal, por um lado, o acerto da proposta de congresso a cada dois anos, por outro, a necessidade de estruturação nacional da ABPN.

O congresso de São Luís transcorreu com a SEPPIR e a SECADI, dois órgãos do governo federal, além da Fundação Palmares, também órgão do governo federal, acenando com o efetivo apoio do mesmo para agenda do movimento negro e dos pesquisadores/as negros/as. O prometido apoio deu-se de forma parcial e as expectativas geradas foram muito maiores do que o realizado, em especial nos aspectos centrais da agenda.

O V Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as, foi realizado entre os dias 29 de julho à 01 de agosto de 2008 e teve como tema " Pensamento negro e anti-racismo: diferenciações e percursos" e foi realizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores Negros – ABPN, Universidade Federal de Goiás – UFG, Universidade Católica de Goiás - UCG, Universidade Estadual de Goiás – UEG, Núcleo de Estudos Africanos e Afro-Descendentes da UFG – NEAAD/UFG, Centro de Estudos Afro-Brasileiros – CEAB/UCG e Coletivo de Estudantes Negros/as Beatriz Nascimento –   CANBENAS, além de parceiros como órgãos governamentais nacionais, estaduais e municipais e outras entidades e instituições.

O VI Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as aconteceu na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 29 e 29 de julho de 2010, sendo a temática “Afro-Diáspora, Saberes Pós-Coloniais, Poderes e Movimentos Sociais”. O evento pretendeu apresentar e discutir os processos de produção/difusão de conhecimentos intrinsecamente ligados às lutas históricas empreendidas pelas populações negras nas Diásporas Africanas, nos espaços de religiosidades, nos quilombos, nos movimentos negros organizados, na imprensa, nas artes e na literatura, nas escolas e universidades, nas organizações não-governamentais, nas empresas e nas diversas esferas estatais, que resistem, reivindicam e propõem alternativas políticas e sociais que atendam às necessidades das populações negras, visando a constituição material dos direitos.

Difundir e debater os saberes produzidos por negros(as) no Brasil implica no esforço de identificar no cenário sociocultural brasileiro, conhecimentos, manifestações e formas de pensar/estar no mundo, concepções, linguagens e pressupostos não hegemônicos, construídas pela multiplicidade de sujeitos que constituem as populações negras, focalizando essa população como produtora de conhecimentos científicos, técnicos e artísticos.

Essa temática também propôs uma reconfiguração dos quadros da memória, no que tange a experiência histórica da população negra no Brasil, que respeite a presença da ancestralidade e tradições africanas, mas, ao mesmo tempo, considere as composições, traduções e recriações realizadas nos movimentos da diáspora.

A escolha dessa temática foi fundamental no sentido de levar em consideração a atual conjuntura brasileira daquele momento, quando os segmentos negros organizados reivindicavam e acentuavam o incremento de mecanismos jurídico-políticos de constituição material de direitos, tais como: a Lei Federal n.º 10.6391 e suas Diretrizes Curriculares, a implementação de Políticas de Ações Afirmativas, a luta pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do Projeto de Cotas para Negros nas Universidades pelo Congresso Nacional,

o que implicava na exigência e na urgência de ampliar o campo de discussão e produção de

conhecimentos sobre as populações negras.

O Congresso envolveu aproximadamente 2000 participantes diretos/as de todas as Unidades da Federação e do exterior. Além disso, a realização deste congresso, assim como das edições anteriores, possibilitou um crescimento quantitativo e qualitativo da produção científica de pesquisadores/as negros/as e sobre populações negras, especialmente no Brasil.

O VII Congresso, ocorrido entre o período de 16 a 20 de julho de 2012, na cidade de Florianópolis, contemplou a temática “Os desafios da luta antirracista do século XXI”. Atingindo um público de aproximadamente 1.000 participantes, o evento promoveu discussões sobre os processos de produção e difusão de conhecimentos ligados às lutas históricas empreendidas pelas populações negras nas mais diversas esferas institucionais e áreas do conhecimento.

Tais discussões foram contempladas por meio do enfoque aos seguintes temas distribuídos nos Simpósios Temáticos: 1 - Relações Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade; 2 – Processos Identificatórios, Relações Raciais e Educação Escolar; 3 - Construção de Identidade Negra no Brasil; 4 - Violência e Questão Racial: Desafios para as Políticas de Direitos Humanos no Século XXI; 5 - Infância Negra, Educação: Desafios e Possibilidades de Igualdade Racial no Brasil; 6 - Educação e Africanidades: Trilhas, Desafios e Possibilidades; 7 - Relações Étnico-Raciais nos Currículos da Educação Básica; 8 - Literatura e outras expressões artísticas afro-diaspóricas;  9 – Representação do negro, entre afirmação e silenciamento; 10 – Memória, Patrimônio e Identidade Negra; 11 – Cultura e História da África e da Diáspora: novas perspectivas historiográficas no Brasil; 12 – Movimentos Sociais Negros; 13 – Poder, cultura e política na perspectiva das Relações Étnico-Raciais; 14 – Políticas públicas de implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais; 15 – Raça, Poder e Desenvolvimento.

A programação desta versão, que, de forma inédita, incorporou três eventos concomitantes, a saber, o II Seminário Internacional de Pesquisadores/as Negros/as; o I Seminário de Iniciação Científica da ABPN e o I Encontro Nacional de Pesquisadoras e Pesquisadores em Saúde da População Negra, comportou 04 conferências, 15 simpósios temáticos, 25 mesas redondas, 300 trabalhos de comunicações livres, 46 pôsteres de iniciação científica, 19 minicursos e oficinas, além de uma intensa programação artístico-cultural.

A proposta do Congresso consistira em oportunizar a diferentes pesquisadores e pesquisadoras a construção de um balanço da produção acadêmica até aqui e definir os desafios para os próximos anos.

O VIII Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as, foi realizado entre os dias 29 julho à 2 de agosto na Universidade Federal do Pará e teve como tema "Ações Afirmativas: cidadania e relações étnico-raciais. No Congresso foram debatidos temas relevantes e caros a sociedade brasileira atual. No mesmo momento em que a vida brasileira atravessa uma onda de questionamentos, concretizadas em manifestações que mobilizam diversos setores sociais, discutir ações afirmativas consiste em um movimento de fortalecimento a vida democrática e cidadã. O vínculo estabelecido nesta oportunidade entre ações afirmativas, cidadania e relações étnico-raciais não esgota o tema, como bem sabemos, mas suscita um ponto de partida importante, a partir do qual podemos ampliar a discussão e enfrentar outros pontos com os quais lidamos no nosso cotidiano como pesquisadores/as. O tema, neste sentido, abrangeu todas as áreas do conhecimento e perpassou as preocupações e ocupações de todos os participantes do evento.

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, por meio do Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia – CEPEGRE , juntamente com a Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as – ABPN, realizará, de 19 a 23 de julho de 2016, na unidade sede, em Dourados, o IX CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISADORES/AS NEGROS/AS – IX COPENE.

O COPENE foi realizado pela segunda vez em uma cidade do interior, sendo a primeira no ano de 2002, na cidade de São Carlos -SP, quando ocorreu o II COPENE. Também será a segunda vez que o mesmo é realizado na região Centro-Oeste. A primeira foi no ano de 2008, na cidade de Goiânia, o seja, o V COPENE.

O IX COPENE tem como objetivo geral reunir pesquisadores/as negros/as para discutir, apresentar, ampliar e avaliar as ações e estratégias de combate ao racismo, às políticas públicas direcionadas à população negra brasileira e as produções científico-acadêmicas elaboradas nas últimas décadas, traz como tema “NOVAS FRONTEIRAS DA INTOLERÂNCIA RACIAL: VELHAS PRÁTICAS DE DISCRIMINAÇÃO E NOVOS ESPAÇOS – UNIVERSO WEB” ao mesmo tempo propiciar debate e reflexão sobre o uso do universo web como espaço de disseminação de velhas práticas de intolerância racial e as políticas públicas de combate. A escolha do tema deu-se em virtude das situações de ataques racistas que afloram mais a cada dia com uso de recursos do universo midiático, baseados na ideologia da superioridade racial e na lógica da impunidade.

A IV Semana sobre Negritude, Gênero e Raça – SERNEGRA e do II Congresso de Pesquisadores/as Negros/as do Centro Oeste – COPENE-GO foram realizados em Brasília entre os dias 4 e 8 de novembro de 2015.

O II COPEN-CO teve como tema “Diálogos e perspectivas sobe a questão racional no Brasil”, com o intuito de discutir sobre os processos de produção e difusão de conhecimentos ligados às lutas históricas empreendidas pelas populações negras nas mais diversas esferas institucionais e áreas do conhecimento.

O IV Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as - COPENE foi realizado de 13 a 16 de Setembro, em Salvador, Bahia, com o tema “O Brasil Negro e suas Africanidades: Produção e Transmissão de Conhecimentos”.

Durante o evento foram propostas reflexões sobre a temática étnico-racial realizadas nos congressos anteriores, tendo em vista a apresentação de proposições pertinentes às problemáticas que afetam a vida da população negra no país, tendo como enfoque as áreas da educação, saúde, história, sociologia, antropologia, bem como temas referentes à Ciência e Tecnologia. 


A relevância político-social e acadêmica do evento reside no fato de oportunizar o debate e aprofundamento de questões relacionadas à África, Brasil e as africanidades na diáspora, através das produções de reconhecidos intelectuais de diversas áreas do saber e de outros estudiosos que vêm se destacando na contemporaneidade, haja vista as contribuições de suas pesquisas para desvelar as faces do racismo à brasileira e, ao mesmo tempo, para fortalecer a luta contra as desigualdades que imperam no seio social.

O III Congresso de Pesquisadores Negros/as da Região Sul: desenvolvimento, patrimônio e cultura afro-brasileira (III COPENE SUL) teve como principal objetivo promover a divulgação da produção científica, tecnológica e cultural sobre desenvolvimento, patrimônio e cultura afrobrasileira, incentivando a inovação e a geração de conhecimentos e a troca entre pesquisadores e estudantes de ensino médio, graduação, pós-graduação e movimentos antirracistas do Brasil e do Cone Sul. Foi realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nos dias 10, 11, 12 e 13 de julho de 2017 por meio do Grupo de Pesquisa Alteritas: Diferença, Arte e Educação em conjunto com o Literalise – Grupo de pesquisa em literatura infantil e juvenil e práticas de mediação literária, com o Programa de Pós graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGE/UFSC), com a Secretaria de Ações Afirmativas (SAAD/UFSC), a Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), por meio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB).

A Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN) desde a sua fundação, em 1999, tem articulado pesquisadores e pesquisadoras (formais e informais) nacional e regionalmente que desenvolvem atividades de ensino, extensão e pesquisa no campo das relações raciais. A ABPN é uma associação civil, sem fins lucrativos, filantrópica, assistencial, cultural, científica e independente, tendo por finalidade o ensino, pesquisa e extensão acadêmico-científica sobre temas de interesse das populações negras do Brasil.

 

De forma que o II COPENE – NORDESTE, a ser realizado em maio de 2019, de 29 a 31, no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes/CCHLA/UFPB, campus de João Pessoa, procurará debater os estudos das temáticas relações étnico-raciais por meio de conferência, mesas de debates, oficinas, simpósios temáticos e relatos de experiências afro-pedagógicas, atividades político-cultural e lançamento de livros (impressos e digitais), tendo como eixo de discussão o tema Epistemologias Negras e Lutas Antirracistas.

 

A logomarca do II COPENE NORDESTE refere-se à ancestralidade africana, a partir dos símbolos Adinkra que nos remete a cultura dos povos Akan que habitam a África Ocidental, em específico os países de Gana e Costa do Marfim. Escolhemos a Adinkra Fawhodie, cuja insígnia representa Independência, Liberdade e Emancipação. Tal signo vincula-se ao contexto de lutas da população afro-brasileira, no passado e no presente. Este grupo social tem buscado construir novas perspectivas de produção de conhecimentos científicos e a valorização de saberes ancestrais, assim como sua atuação passa pela defesa de uma sociedade que reconheça a diversidade cultural e possibilite a construção de relações sociais equânimes.

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