Archive for outubro, 2009

Discussão sobre o fim ou não do preconceito racial na teledramaturgia nunca ganhou tanta força como agora

Preconceito minado »

Rosualdo Rodrigues

Taís Araújo sempre ficava triste quando recebia uma sinopse de novela e via, na descrição, que se tratava de uma mulher negra. Acreditava que isso limitaria suas oportunidades, já que poderia fazer com que não fosse lembrada para um papel sem raça definida. Mas o convite de Manoel Carlos para interpretar a Helena de Viver a vida, fez com que respirasse aliviada. Pela primeira vez, ela ganhou um papel de destaque que poderia ser preenchido por qualquer outra atriz com idade próxima da sua. “Não é uma negra protagonizando o horário nobre, mas uma mocinha que teve sua raça definida pela escolha da atriz, e não o inverso”, valoriza.

A discussão sobre o fim ou não do preconceito racial na teledramaturgia nunca ganhou tanta força como agora. Só na Globo, três dos quatro horários de folhetins têm negros em papéis principais. Na atual temporada de Malhação, Micael Borges vive o romântico Luciano; em Cama de gato, Camila Pitanga encarna a determinada Rose, e Taís está em Viver a vida. Um momento histórico para os que batalharam, por tantos anos, por melhores oportunidades para todos. “É a continuidade e a consequência de uma luta constante e antiga, não só racial, mas também social. Essas novelas, sem dúvida, vão influenciar as futuras”, alerta Milton Gonçalves, que grava a partir de novembro a segunda temporada do seriado Força-tarefa, em que interpreta o coronel Caetano.

Camila Pitanga entende bem o que Milton quer dizer. A atriz não se cansa de demonstrar o quanto ficou feliz com a escalação para o posto de protagonista, mas faz questão de frisar que isso não é o mais importante. “Claro que é uma vitória para os negros ver tantos exemplos de heróis. Mas o êxito não pode ser definido só no tamanho dos papéis. Tem de acontecer também com as pessoas que ficam menos expostas, como as da figuração”, enfatiza. Rafael Zulu, o Caco de Caras e bocas, concorda: “Ainda não podemos dizer que é natural, mas é nossa fase de conquista, de ganhar espaço em todos os aspectos”.

Sérgio Menezes, o Diogo de Bela, a feia, da Record, nunca viveu um protagonista em novelas. Mas experimentou várias vezes a satisfação de ser escalado para papéis sem raça definida. Em Celebridade, em 2003, encarnou o fotógrafo Bruno, escolha do autor Gilberto Braga, com quem estreou na tevê, em Força de um desejo. No ano anterior, encarnou o médico Carlos em O beijo do vampiro, outro personagem que não nasceu negro na sinopse. E na Record, nas tramas de Gisele Joras, vem ganhando cada vez mais espaço. “Fico feliz porque consegui conquistar o respeito de muita gente nesse meio que não me vê como um ator negro, mas apenas como um ator”, declara.

Apesar de valorizarem as escalações independentes de cor da pele, vários atores reconhecem que nem sempre um papel especificamente negro é dispensável. É o caso de Lázaro Ramos, que ganhou projeção nacional depois que protagonizou o longa Madame Satã, em 2002. “Qualquer ser humano, independentemente de cor, passa por vários sentimentos”, resume. Assim como Lázaro, Maria Ceiça ainda lembra bem do tempo em que disputava papéis apenas com atrizes negras. Só não aprova tanto a ideia de que a maior parte das aparições em folhetins tenha sempre de estar condicionada à discussão sobre o preconceito racial. “Acho que de vez em quando, dependendo da história, vale. Mas a verdade é que a fase de negro coitado já passou. Meus últimos papéis fogem completamente disso”, analisa ela, que encarnou recentemente a vampira boazinha Rosana em Os mutantes.

Fonte Correio Braziliense

3 Comments

Museu Afro Brasil completa cinco anos e inaugura a exposição “Sonhos e Utopias dos Artistas do Brasil pela Liberdade”

Durante comemoração, aberta ao público, neste 23 de outubro, será anunciada oficialmente a qualificação da entidade como Organização Social de Cultura e a abertura da mostra sobre saudação aos orixás:

Oriki In Corpore

Programação Comemorativa Museu Afro Brasil – 5 anos

Abertura: 23/10/2009 – às 19h30

Exposição:  Sonhos e Utopias dos Artistas do Brasil pela Liberdade
Exposição: Oriki In Corpore

São Paulo – Neste 23 de outubro, data em que completa cinco anos de fundação, o Museu Afro Brasil apresentará uma programação comemorativa, que inclui a abertura de duas mostras inéditas:  Sonhos e Utopias dos Artistas do Brasil pela Liberdade, com obras de diversos artistas brasileiros que serão doadas ao Museu da Solidariedade Salvador Allende (Santiago do Chile); e a instalação musical Oriki In Corpore, de Iara Rennó e Silvana Olivieri.

O Diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo, receberá convidados para o anúncio da celebração do Contrato de Gestão com o Governo do Estado de São Paulo, que transforma a instituição em um equipamento público estadual. O contrato de gestão assinado, em junho deste ano, através da Secretaria de Estado de Cultura,  qualifica o museu como Organização Social de Cultura, garantindo recursos para o  funcionamento da instituição.

Hoje o MAB mantém um acervo de 5 mil obras e uma biblioteca com mais de 6.800  publicações referentes a história, arte e cultura do negro no Brasil. Atualmente quatro exposições simultâneas ocupam os três pavimentos do edifício localizado no Parque Ibirapuera: “Deoscoredes Maximiliano dos Santos – O Escultor do Sagrado”, homenagem aos 90 anos do Mestre Didi”; “Formas e Pulos – O Saci no Imaginário”; “Os Mágicos Olhos das Américas” (até 6/12/2009) e “Picha – O Universo das Histórias em Quadrinhos Africanas” (até 08/11/2009).

Serviço – Museu Afro Brasil

Museu Afro Brasil – Av. Pedro Álvares Cabral, s/n -  Parque Ibirapuera

Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até 18h

Informações e agendamento de grupos: Tel 5579.0593 (Grupos só terão acesso acompanhados por educadores do Museu)

Estacionamento: Portão 3 (Zona Azul)

Entrada: Grátis

site: www.museuafrobrasil.com.br

Realização

Secretaria de Estado da Cultura – Governo de São Paulo

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura

No Comments

São Paulo é sede da 1ª Conferência Livre Infanto-Juvenil de Comunicação

Fonte: Mobilizadores da Rede de Comunicação

São Paulo será ponto de encontro de crianças e adolescentes, este sábado, na 1ª Conferência Livre Infanto-Juvenil de Comunicação. Os participantes poderão discutir a representação e as demandas de seu segmento considerando a relação juventude e direito à comunicação. Os eixos de temas que devem orientar as conversas estão divididos em “Educar para/com a comunicação”, “Agente de mudança na mídia” e “Controle Social (Publicidade infantil)”.


O evento é uma iniciativa de entidades que trabalham com assuntos voltados para a infância, juventude e comunicação, a fim de agregar as crianças e jovens já envolvidos no processo de discussão da 1ª Conferência Nacional de Comunicação. A idéia é ainda estimular que outras também integrem à iniciativa.

As crianças menores de 12 anos, diferentemente dos jovens, precisam de autorização dos pais para participar. Foi desta forma que os organizadores conseguiram garantir a inscrição de 120 crianças que estarão no Tendal da Lapa, a partir das 9h00 de sábado.


O primeiro evento em São Paulo com foco similar foi a 1ª Conferência Livre de Juventude e Comunicação, em julho deste ano. Na ocasião, 150 jovens, de 24 Estados, debateram e formularam propostas para a Confecom. Agora, a mesma oportunidade será oferecida, incluindo as crianças e tendo como meta a elaboração de propostas a serem encaminhadas para a etapa nacional, marcada para os dias 14 a 17 de dezembro.

No Comments

A guerra do Rio é uma metáfora cavilosa

Uma cidade não pode ser transformada num cenário de prorrogação de um filme

Fonte: Folha de São Paulo
Por: Élio Gaspari


O RIO GANHOU um novo problema, a blindagem dos helicópteros da polícia. (E por que só os da polícia?) Os três jovens mortos na entrada do morro dos Macacos são uma nota de pé de página. Três dias de desordens nas estações da Supervia já são coisa do passado. De uma hora para outra, o carioca sente-se num cenário de “Tropa de Elite”.


Primeiro, ele parou de caminhar pelas ruas do bairro depois do jantar. Um país com a taxa de fecundidade de 6,3 filhos por casal não podia ir para a frente. Depois, faz tempo, surgiram as grades nos jardins do recuo dos edifícios. Do Leblon ao Leme há algo como 10 mil metros de calçadas gradeadas, mas não poderia ser diferente: nessa época a população favelada do Rio dobrara de 335 mil pessoas para 722 mil.


Isso acontecia numa cidade em que, até 1983, pareceu irrelevante o fato de os ônibus não passarem pelo túnel Rebouças, inaugurado em 1966. Parecia natural que a choldra da zona norte não tivesse acesso fácil a Copacabana e Ipanema.


Na virada do século foi preciso blindar o carro. Pensando bem, era uma impropriedade estatística. A taxa de fecundidade das brasileiras caíra para 2,9 filhos por casal. Estavam nascendo menos pobres, portanto, não fazia sentido que a população favelada chegasse a 722 mil almas, quase 15% da população da cidade.


Aos perigos e transtornos impostos ao carioca somou-se a cenografia de uma guerra. A crise da segurança pública do Rio não é uma guerra. Pode ser pior, mas não é guerra. Os quatro anos da ocupação alemã em Paris foram menos cruentos que quaisquer quatro anos do Rio, desde 1980. A ideia de uma guerra pressupõe um inimigo perfeitamente identificado e a disposição de se utilizar todas as forças disponíveis para submetê-lo. Guerra pressupõe tentar devolver o Vietnã do Norte à Idade da Pedra.


Não há guerra no Rio, o que há é uma metáfora de conveniência. Ela cria o cenário da emergência, mas não pode dar o passo seguinte, que seria o reconhecimento de que uma parte da cidade está em guerra com outra, como aconteceu na Argélia, ou na África do Sul da fase mais agressiva do “apartheid”.


Esse passo não é dado porque, apesar dos surtos demofóbicos, a sociedade brasileira nunca se associou a um projeto desse tipo. Colocando a coisa de outro modo: o pedaço da sociedade que seria capaz de apoiar uma política de violência segregacionista levando-a a consequências extremas, ainda não tem coragem para vocalizar suas propostas e não haverá de tê-la nos próximos anos. Pensar que essa linha de pensamento não existe é colocar a ingenuidade a serviço das boas maneiras.


A metáfora da guerra não define o inimigo mas, cavilosamente, deixa-o subentendido. Ele está na favela (“fábrica de marginais”, na definição do governador Sérgio Cabral). Essa guerra sem inimigo produz cenários, cenas de batalha, vítimas e juras de vingança, nada mais. Tudo fica parecido com “Tropa de Elite”. Uma metáfora pode sustentar um filme, mas não resolve as questões da segurança de uma cidade.


Se o clima de guerra sair da agenda do Rio, não há qualquer garantia de que as coisas melhorem, mas pelo menos será retirada a cortina de fantasia que mascara políticas públicas fracassadas.

No Comments

O Pré-sal e a equidade de gênero e raça, um diálogo necessário ao país

“Apoiamos investimentos do Pré Sal em educação e que levem em conta critérios de raça, e até de gênero, levantadas pelo Instituto Adolpho Bauer, porém, ao invés de investir através do Prouni, dinheiro nas instituições privadas, que se invista no ensino público, e na criação de novas universidades públicas, melhor preparadas “

por: Adilton de Paula

No último dia 5 de outubro, em Curitiba, um grupo de técnicos e especialistas nas questões de energia, raça e gênero, convidados pelo Instituto Adolpho Bauer (IAB) e Associação Nacional dos Coletivos de Afro-empreendedores Brasileiros (ANCEABRA), discutiram “O Marco Regulatório do Pré-Sal e a Promoção da Igualdade de Gênero e Raça”.

Partimos do pressuposto de que o Petróleo é de propriedade de todo o povo brasileiro, e que qualquer novo processo do país advindo da exploração e uso deste combustível (como no caso do Pré-sal), deve reverter em benefício e riqueza para o conjunto da população brasileira.

Partimos também da premissa de que a sociedade brasileira tem uma dívida histórica com grande parcela de nossa população (negros e mulheres), que vem sendo excluída e precarizada ao longo da história de desenvolvimento de nosso país e sociedade. E que por isto, neste sentido, qualquer enriquecimento do país deverá levar em conta, de forma substancial, a presença desta população na distribuição e partilha destas riquezas.

Apontamos também, que ao longo da história da sociedade brasileira, tivemos diversas benesses naturais, que geraram imensas margens de enriquecimento do país, mas que, no entanto, excluíram e impediram a participação dos negros e das mulheres deste processo, assim foi com o ciclo da madeira, com a cana de açúcar, com o ciclo do ouro, da borracha, do café e mesmo com o amplo processo de industrialização que passamos a partir das primeiras décadas do século passado.

Com o advento do Pré-sal, economistas e especialistas apontam que o Brasil passará a ser a quinta economia mais rica do planeta, vemos isto como altamente positivo, mas não podemos aceitar que este enriquecimento mais uma vez sirva à apropriação individual ou esteja a serviço de grupos fechados e tradicionais (homens, brancos, jovens).

Nós nos posicionamos conjuntamente com as lutas e mobilizações propostos pela FUP – Federação Unificada dos Petroleiros e com o posicionamento da UNE (União Nacional dos Estudantes), de que a maior parcela dos recursos que serão gerados nesta nova onda de riquezas do Pré-sal, deverá ser direcionada ao setor educacional brasileiro. Hoje, mais que nunca, investir em educação é investir no futuro da sociedade brasileira.

Ressaltamos, entretanto, que para não manter o criminoso fosso de separação social de classe, gênero e raça, no país, é fundamental que estes recursos reforcem as políticas afirmativas como o PROUNI, levando em consideração que este é um real espaço e mecanismo de promoção da justiça social e da equidade de gênero e raça.

O grupo levantou dado e informações e está produzindo um documento, mais denso de justificativa sócio-histórico, sobre o porquê e a importância de o Pré-sal ser uma peça fundamental na promoção do combate ao machismo e ao racismo e na promoção da igualdade de gênero e raça.
Partimos da seguinte pergunta geradora: É possível com o Pré-sal gerar riquezas e promover a igualdade de gênero e raça?

Avaliamos que sim, é possível, mais que possível é necessário e devido, já que ao longo de nossa história jogamos estas parcelas da sociedade à marginalização e as deixamos nos piores processos de pobreza e miserabilidade. Avaliamos que não há desenvolvimento sustentável, sem a promoção da igualdade de gênero e raça. E entendemos que o Brasil não chegará a ser uma grande economia e uma grande Nação, se não houver solidariedade e justiça social.

Acreditamos também que este é um debate muito promissor e por isso convocamos todos a dialogar conosco.

Não queremos ficar no reducionismo do debate do Pré-sal pelo Pré-sal, queremos discutir crescimento e desenvolvimento, queremos discutir como fortalecer e desenvolver todo o povo brasileiro e principalmente como podemos romper com as amarras e dores da exclusão, principalmente com a exclusão de classe, gênero e raça.

Saímos desse diálogo fortalecidos e animados porque vamos fazer o debate reverberar em todas as nossas redes sociais e em todos os espaços políticos e institucionais.
Chamamos a atenção de todos e todas para a cegueira institucional e pobreza da grande mídia, que tenta nos taxar e evitar o diálogo. Solicitamos que se abram o diálogo, sem dogmas, racismos, machismos e outros preconceitos, pois temos certeza que com uma conversa franca e aberta, todos teremos muito mais a ganhar do que a perder.

O Congresso Nacional terá que votar o Marco Regulatório até o final de outubro, portanto, solicitamos a todos e a todas que monitorem seus políticos, enviem e-mail, telefonem, entrem em contato e perguntem sobre seus respectivos posicionamentos sobre o Pré-sal e principalmente como pensam este tema em conjunto com a Promoção da Igualdade de Gênero e Raça.

Defendemos o Pré-sal em Regime de Partilha, acreditamos que esta riqueza é de todos e que por todos e todas precisa ser usufruída.

Espalhe este debate, mobilize sua família, amigos e comunidade e vamos contribuir mais uma vez para a construção de um grande país e de uma grande Nação com espaços, direitos e oportunidades iguais para todos e todas.

Tags:

No Comments

Com novos depoimentos, Haroldo Costa relança, 27 anos depois, Fala, Crioulo!, em que revê a situação do negro no Brasil

por Fernando Paulino Neto, RIO

Com o fim do AI 5 e o início da redemocratização após o golpe militar de 64, ressurgia nos diversos segmentos da sociedade a possibilidade de discutir abertamente suas questões. Não foi diferente com o movimento negro. Nesse contexto, o ator, escritor e produtor cultural Haroldo Costa, hoje com 79 anos, organizou o livro de depoimentos Fala, Crioulo! (Record, 336 págs., R$ 49,90). Com a comemoração dos 120 anos da Lei Áurea, atualizou o livro acrescentando novos depoimentos e mantendo alguns do livro original. Os 27 anos que separam as duas versões mostram uma mudança no comportamento social do negro. “Antigamente tinha aquela mística de que o negro quando evoluía queria casar com branca e loura, pensando em ascensão social.

Atualmente há um grande número de profissionais liberais e essas pessoas chegaram onde chegaram à custa de muito sacrifício e luta. Elas sabem que existem como cidadãos”, diz. Para Haroldo Costa, o mais importante é que haja um constante aumento da autoestima do negro. “O dreadlock não é só um modismo. É consciência.” O autor recebeu o Estado em sua casa na Gávea, bairro de classe média-alta da zona sul carioca, decorada com máscaras e estatuetas africanas e obras de arte de amigos como Carybé, Aldemir Martins e de seu parceiro Lan, para tentar responder à pergunta “que ainda se impõe”, como diz na introdução do livro: “O que é ser negro no Brasil?” Read the rest of this entry »

No Comments

Balzac e o Nobel

Por Marcos Nobre

balzac2Muito se discutiu sobre se Obama merecia ou não o Prêmio Nobel da Paz. Acho que esse prêmio tem pouca coisa que ver com merecimento. É política mesmo. E são políticas as razões da premiação.

O momento é de transição. A liberalização econômica dos últimos 30 anos primeiro minou a base do antigo bloco soviético. A partir de 1989, juntou-se ao rótulo “globalização” para prolongar de maneira artificial a Guerra Fria em favor da supremacia dos EUA. Até o limite brutal do governo de George W. Bush e de uma crise econômica como há muito não se via.

Muita gente pensa a transição atual por analogia à transformação do início do século 20, quando a Inglaterra perdeu progressivamente o lugar de potência hegemônica em favor dos EUA. O enfraquecimento do dólar seria o indício mais claro de que um substituto já estaria à vista. Ou pelo menos seria indício de que os EUA deixariam sua posição de supremacia em favor de um novo multilateralismo. O problema é saber quem seria esse substituto (as bolsas de apostas dão a China como favorita). Ou quais seriam os países em condições de participar desse cartel multilateral do poder mundial. Read the rest of this entry »

No Comments

Brancos foram pedra no sapado de Obama, diz escritora

obama-02-200x300

O presidente dos Estados Unidos nesta sexta-feira (9). O comitê do Nobel na Noruega destacou seus trabalhos para a paz na esperança de um futuro melhor.

O prêmio foi concedido ao presidente menos de nove meses após ele assumir a Presidência. Sua eleição, um acontecimento sem precedentes na história norte-americana, quebrou barreiras raciais e alterou para sempre o panorama político mundial.

A história do líder é de admiração, assim como a de sua mulher Michelle que, após a infância pobre em Chicago, venceu barreiras sociais e raciais para estudar em duas das melhores universidades do mundo, Princeton e Harvard.

No livro “Michelle Obama: A Primeira-Dama da Esperança”, a autora Elizabeth Lightfoot revela o que está por trás da mulher que é amante, mãe das filhas e maior inspiração para o homem mais poderoso do planeta.

Leia o trecho do livro. Read the rest of this entry »

1 Comment

“Herança do apartheid vai ajudar na Copa”

southafrica2010_poster_final2

Em menos de um ano, a África do Sul sediará o evento em que espera ser reconhecida definitivamente como uma nação madura, democrática e estável, longe do estigma de ter sido o palco do apartheid.

Mas o legado do regime racista, que perdurou de 1948 a 1994, não apenas perdura 15 anos depois de seu fim, como deve acabar ajudando no sucesso da Copa do Mundo.

Quem aponta a ironia é Moeletsi Mbeki, 64, um dos principais analistas políticos sul-africanos, em entrevista ao Pé na África.

Sua tese: a separação física imposta pelo apartheid, que confinou negros pobres em favelas distantes dos centros urbanos, ajudará a conter ondas de violência e mantê-las afastadas dos olhos de turistas.

“Mesmo se houver batalhas entre a polícia e trabalhadores, isso não vai afetar o evento. A infraestrutura da Copa do Mundo fica na cidade, longe”, diz Mbeki, ligado ao South African Institute of International Affairs, uma ONG.

Um dos países mais violentos do mundo, com índices de homicídio 50% maiores do que os brasileiros, a África do Sul teve duas grandes ondas recentes de violência recentes: uma em julho, contra a demora do governo em cumprir promessas de campanha, e outra há um ano e meio, contra imigrantes, que deixou 62 mortos.

Culpa, segundo ele, de promessas irresponsáveis do governo, da corrupção do regime e da crescente desigualdade de renda entre os negros.

Crítico ácido do governo, Mbeki é considerado a ovelha negra de uma família de alto pedigree no Congresso Nacional Africano, o partido governista há 15 anos.

O pai Govan (1910-2001), colega de Nelson Mandela na prisão, é um dos totens do movimento anti-apartheid. O irmão mais velho Thabo foi presidente sul-africano entre 1999 e 2008, e um alvo constante das críticas do caçula.

* Read the rest of this entry »

1 Comment

O Rio deve essa ao Lula: nunca antes nesse país…

Por Leandro Fortes

Lula poderia ter agido, como muitos de seus pares na política agiriam, com rancor e desprezo pelo Rio de Janeiro, seus políticos, sua mídia, todos alegremente colocados como caixa de ressonância dos piores e mais mesquinhos interesses oriundos de um claro ódio de classe, embora mal disfarçados de oposição política. Lula poderia ter destilado fel e ter feito corpo mole contra o Rio de Janeiro, em reação, demasiada humana, à vaia que recebeu – estranha vaia, puxada por uma tropa de canalhas, reverberada em efeito manada – na abertura dos jogos panamericanos, em 2007, talvez o maior e mais bem definido ato de incivilidade de uma cidade perdida em décadas de decadência. Read the rest of this entry »

No Comments